HPV – Condiloma

As verrugas genitais são provocadas pela infecção com o vírus “Papilomavírus Humano – HPV”.

Existem mais de 100 tipos de HPV, e estão divididos segundo seu potencial de transformar as células que se encontram em células malignas, o que é chamado de potencial oncogênico. Aproximadamente 90% das verrugas genitais são provocadas por quatro tipos de HPV:

  • HPV 6 e 11: baixo potencial oncogênico / principal causador das verrugas genitais;

  • HPV 16 e 18: alto potencial oncogênico / segundo maior causador das verrugas genitais.

A infecção pelo HPV é altamente transmissível, sendo a atividade sexual o principal fator de risco. A maior parte das infecções ocorre através da relação sexual vaginal e anal, porém a transmissão também pode ocorrer através de outras formas de atividade sexual.

As verrugas na região genital podem apresentar variações quanto à sua forma de manifestação, sendo algumas formas mais comuns:

  • Condiloma acuminado: é a forma mais “pontuda” da verruga genital, sendo fina, alta e estreita;

  • Verruga vulgar: geralmente tem a mesma cor da pele, com a superfície áspera, e são semelhantes às verrugas encontradas em outras áreas do corpo;

  • Verruga plana: tem a superfície lisa, e são achatadas, também da cor da pele;

  • Condiloma gigante ou Tumor de Buschke-Lowenstein: são lesões grandes, com superfície lisa e da cor da pele, ou avermelhadas, com aspectos semelhantes a uma “couve-flor”.

As verrugas genitais são geralmente assintomáticas, porém algumas pessoas podem apresentar coceira e irritação na área acometida.

Nos homens, a maioria das lesões acomete o corpo do pênis, afetando também glande, prepúcio, bolsa escrotal e virilhas.

Nas mulheres, as verrugas genitais geralmente ocorrem ao redor do canal da vagina, porém é muito importante a avaliação da possibilidade da infecção no colo do útero.

Verrugas na região perianal podem ou não estar associadas à pratica de relação sexual anal.

O diagnóstico da verruga genital, bem como de verrugas em outras áreas do corpo, é feito através do exame clínico. Nos casos de verrugas planas, ou verrugas grandes (Condiloma gigante), recomenda-se realizar biópsia, pelo risco da presença de carcinomas localizados nessas lesões.

Existem várias opções para o tratamento das verrugas genitais, sendo a escolha do melhor tratamento feita pelo médico e pelo paciente, no momento do exame. Além do transtorno local que a verruga provoca, é importante que toda verruga anogenital seja tratada, pois não se sabe qual o tipo de HPV está envolvido com cada verruga, e também para reduzir a transmissão sexual da infecção.

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Hipomelanose Macular

Pigmentação da pele e Hipomelanose Macular

A pigmentação da pele é a combinação de uma série de fatores, entre eles, destacam-se a quantidade e o tipo de melanina produzida na pele, a presença de vasos sanguíneos, e a espessura do estrato córneo.

A melanina, que é o pigmento básico que confere a cor da pele, é formada dentro das células chamadas melanócitos. Os melanócitos utilizam as estruturas conhecidas como melanossomos para produzir a melanina, a partir da substancia tirosina, com o auxilio da enzima tirosinase.

Após a produção da melanina pelos melanócitos, os melanossomos, contendo a melanina, são levados até as outras células que compõe a pele, os ceratinócitos, e a partir daí, esses melanossomos fornecem melanina para os ceratinócitos na pele.

As diferenças de cor da pele entre as pessoas e raças são decorrentes da quantidade de melanina produzida nos melanossomos, do números de melanossomos, e da própria distribuição dos melanossomos entres os ceratinócitos da pele.

As doenças da pele com alteração da pigmentação relacionam-se com distúrbios dos melanócitos, tanto em relação à sua própria presença na pele, como na sua capacidade de produzir melanina. Em algumas alterações da pigmentação da pele, os distúrbios estão na distribuição dos melanossomos por entre as células, ou no tipo de melanina produzida.

Hipomelanose Macular (Progressiva)

A hipomelanose macular ou hipomelanose macular progressiva é um distúrbio da pigmentação da pele muito comum, mais frequentes nos indivíduos do sexo feminino e de pele escura, podendo acometer também homens e indivíduos de pele clara.

Esse distúrbio é caracterizado por manchas (máculas) claras (hipopigmentada) geralmente localizadas no dorso. Apesar de não ser comum, as manchas podem se estender para as pernas, braços e outras áreas do corpo.

Não existem outros sintomas associados, como coceira, dor, inflamação ou descamação, sendo a alteração da coloração da pele o único sinal da hipomelanose. Alguns pacientes são erroneamente diagnosticados como tendo pitiríase versicolor (ou “pano branco”), pois as manchas podem ser parecidas e geralmente estão na mesma localização.

Ainda não se sabe ao certo o que causa a hipomelanose macular, mas é possível observar no exame da pele através do microscópico (biópsia da pele) a redução do pigmento na pele e a alteração das estruturas conhecidas como melanossomos. A bactéria Propionibacterium acnes, presente no interior dos folículos dos pelos, parece estar envolvida com o processo.

Não existe tratamento definitivo para a hipomelanose macular, mas a fototerapia (PUVA ou UVB-Narrow Band), associada ao uso tópico de alguns medicamentos tem demonstrado bons resultados.

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Hidradenite

A hidradenite supurativa é uma doença dermatológica que acomete essencialmente as glândulas apócrinas, principalmente nas regiões axilares e anogenital. É uma doença crônica, e caracteriza pela presença recorrente de feridas na pele, conhecidas como fístulas. Essas feridas lembram furúnculos no início, e evoluem com formação de cicatrizes na região afetada.

Incialmente considerava-se que a hidradenite era uma doença da desregulação da glândula apócrina, porém hoje, sabe-se que o problema inicial é a oclusão do poro dessa glândula, especialmente das regiões axilares e anogenital. A consequência dessa oclusão é a ruptura desta estrutura, com introdução de queratina e bactérias na derme, levando à inflamação da glândula e do seu redor, com formação de nódulos e abcessos. Em última instância, esses nódulos e abcessos dão origens às fístulas e às cicatrizes.

A idade de início da doença geralmente é na puberdade, ou na vida adulta, sendo que as mulheres são muito mais afetadas que os homes. A raça negra também é mais acometida. O peso excessivo pode contribuir para o desenvolvimento da doença.

Não há uma forma clara de prevenção da doença, mas algumas medidas podem contribuir para o tratamento, como redução do peso, uso de roupas mais leves, uso de sabonetes antissépticos e desodorantes não irritantes para a pele. Essas medidas visam diminuir o atrito, o calor e a umidade nas áreas afetadas.

O tratamento da hidradenite supurativa continua sendo um desafio para os dermatologistas, pois geralmente há recorrência da doença após um período do término do tratamento. A cirurgia da área afetada, com a retirada precoce das glândulas que estão acometidas tem sido mostrado como um dos tratamentos mais eficazes. Outras opções terapêuticas são medicamentos à base de antibióticos e anti-inflamatórios. Os retinóides orais, os medicamentos imunossupressores e os imunobiológicos também tem sido utilizados, porém ainda com resultados que variam de um paciente para o outro.

 

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Herpes Zoster

O herpes zoster é uma doença infecciosa viral, causa pelo Vírus Varicela Zoster (HHV-3). Esse vírus é o mesmo causador da varicela ou catapora.

Antes do advento da vacina contra catapora, mais de 90% das crianças apresentavam a doença, que geralmente é muito sintomática, apresentando muitas lesões na pele.

Esse vírus apresenta uma distribuição universal, e acredita-se que pelo menos 98% da população adulta tenham o vírus no organismo, num estado de latência, ou seja, sem atividade.

 

O herpes zoster representa a reativação desse mesmo vírus, e geralmente acomete o adulto, seja ele saudável ou com deficiência imunológica. A frequência e a gravidade da doença aumentam significativamente com a idade. Nas pessoas com algum grau de imunodeficiência a frequência dos casos de herpes zoster tem sido maior.

É importante ressaltar que uma pessoa com herpes zoster pode transmitir catapora para outra pessoa, sendo esse o motivo do cuidado que se deve ter principalmente com o contato com crianças.

O quadro clínico do herpes zoster é caracterizado por começar, geralmente, com uma queixa de formigamento, alteração da sensibilidade ou até mesmo dor intensa em uma área delimitada da pele. Posteriormente surgem as lesões, que são vesículas agrupadas, seguindo um “caminho” bem definido na pele, chamado dermátomo. Raramente essas lesões atravessam de “um lado para o outro” do corpo.

Apesar do quadro do herpes zoster ser autolimitado, seu tratamento é de extrema importância pelo risco de complicações. Entre elas destacam-se a neuralgia pós-herpética*, as cicatrizes, infecção bacteriana secundária, herpes zoster oftálmico, síndrome de Ramsay-Hunt** e outros.

*Neuralgia pós-herpética:

A dor é um dos sintomas mais importantes do herpes zoster, acometendo mais de 80% dos pacientes acima de 80 anos de idade. Ela poder ser classificada em dor aguda, que ocorre dentro dos primeiros 30 dias, dor subaguda, entre 30 e 120 dias, e dor crônica, que continua por mais de 120 dias do quadro. A dor intensa permanecendo por mais de 1 ano é pouco comum, mas pode ocorrer em alguns pacientes. Pelo fato de ser muito difícil controlar a dor neural depois que ela já foi estabelecida, é muito importante tratar o paciente com medicamentos adequados desde a primeira consulta, para minimizar a dor e evitar a lesão neural. A indicação de uma clínica da dor pode ser necessária para alguns pacientes.

**Síndrome de Ramsay-Hunt:

Representa o acometimento do gânglio geniculado, afetando canal auditivo, língua, palato, paralisia do nervo facial e outros sintomas.

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Herpes Simples

O herpes simples é uma doença viral que acomete a população de forma geral, sem preferencia por sexo, idade e outros fatores. Acredita-se que mais de 85% da população tenha o vírus do herpes no organismo, porém ele se manifesta em cerca de 10% das pessoas.

Existem dois tipos de vírus que causam o herpes, o herpes simples tipo 1 (HSV-1) e o herpes simples tipo 2 (HSV-2). A diferença está relacionada a pequenas alterações em sua estrutura. Na maioria das vezes, o HSV-1 é o responsável pelo herpes da região labial, e o HSV-2 da região genital.

A transmissão do vírus do herpes ocorre de uma pessoa para outra, pois o ser humano é o único portador natural desse vírus. Pode ser transmitido por saliva, por contato íntimo ou por contato direto com a pele afetada.

Características clínicas:

A lesão clássica do herpes é a vesícula, que pode ser entendida como uma pequena “bolha” com líquido claro no seu interior.

Geralmente na primeira manifestação do herpes, a infecção pode ser um pouco mais acentuada, com maior número de vesículas, e até mesmo com sintomas mais significativos, como febre, dor, mal-estar, cefaleia e outros.

Nas manifestações subsequentes, a infecção tende a ser mais branda, caracterizando apenas por um período de queimação ou formigamento anterior ao surgimento das vesículas, sintomas chamados de pródromos.

Após esse período, surgem então as vesículas, que se apresentam agrupadas na área dos sintomas anteriores. As lesões apresentam uma evolução que varia de 3 a 7 dias, e apresentam cura espontânea dentro desse período.

Na região genital, as vesículas rompem-se rapidamente, deixando as lesões com aspecto de pequenas ulcerações ou erosões avermelhadas. Por essa maior fragilidade do tecido, dificilmente o paciente irá observar vesículas nessa região.

Importante ressaltar que o herpes simples pode se manifestar em qualquer área do corpo, sendo as lesões da região labial da região genital as mais frequentes e clássicas dessa infecção.

Alguns pacientes apresentam um ou pouquíssimos episódios durante a vida, enquanto outros podem apresentar vários episódios de herpes em períodos muito curtos, chegando a 3 ou 4 por ano.

O diagnóstico é clínico, sendo feito pelo exame do médico dermatologista e pela história clínica do paciente.

O tratamento deve ser feito logo no inicio, com o uso de antivirais por via oral, o que pode encurtar o tempo de evolução da infecção e prolongar o período entre um episódio e outro.

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Hanseníase

A hanseníase, também conhecida como Mal de Hansen, ou mais antigamente chamada de lepra, é uma doença infecciosa causada por uma bactéria denominada Mycobacterium leprae.

A doença é transmitida de pessoa para pessoa, quando estas convivem no mesmo ambiente, geralmente na presença de algum indivíduo portador da doença na forma chamada de multibacilar, na qual há maior número de bactérias. Importante ressaltar que a doença só é transmitida pelo indivíduo doente antes do tratamento. Os principais meios de transmissão dessa bactéria são pelas vias aéreas superiores, leite materno, urina, fezes ou de lesões (feridas) na pele dos doentes.

A bactéria causadora da hanseníase afeta principalmente a pele e os nervos da pele, provocando lesões cutâneas características, como as manchas claras, e alterações da sensibilidade da área afetada. Dependendo do sistema imunológico do indivíduo afetado, as lesões da pele podem ser em menor ou maior número, e também de outras formas, além das clássicas manchas brancas. Os nervos da pele também podem sofrer mais ou menos, na dependência da imunidade do indivíduo.

Sempre que houver suspeita de um caso de hanseníase, ou quando houver o diagnóstico de um caso em uma família ou entre pessoas do mesmo convívio, é importante que todas as pessoas próximas sejam examinadas por um profissional de saúde treinado para o diagnóstico.

O tratamento da hanseníase também deve ser feito o mais precoce possível, evitando assim, sequelas nos indivíduos acometidos.

Os esquemas atuais de tratamento para hanseníase são altamente eficazes, e são denominados de esquemas “PQT” ou Poliquimioterapia, pois são realizados com mais de um medicamento. O tratamento é feito em casa, com consultas ambulatoriais periódicas para controle do estado do paciente e supervisão do tratamento.

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